sexta-feira, 1 de março de 2013

OMULU meu PAI


















 Qualidades de Omulu



                                      
Ajunsu: Ajunsun é o Rei de Savalu, tem fundamentos com Oxumaré, Oxun e Oxalá. Carrega lança e veste branco. É ligado ao tempo, as estações do ano e ao culto da terra. É o verdadeiro dono do ciscuzeiro. Na perna esquerda leva uma pulseira de aço.
Azonwanu: Azauane ou Azonwanu (aquele que tem cheiro de doença). É jovem, veste vermelho, palha vermelha bordada com búzios, o que traduz sua riqueza. Usa um xaxará.Tem humor rascante, mas é um Vodun extremamente progressista para a sua Comunidade.Tem caminhos com Iroko, Oxumaré, Iemanjá e Oyá.
Arawe: Tem fundamento com Oyá e Oxalá. Veste estampado, cores fortes como vinho e vermelho. Tem rejeição a faca. Só come bichos brancos.
Avimaje: Tem fundamento com Nana e Ossain e Odé. É caçador de almas,e o que levas as almas condenadas por Sakpata. Seu titulo é de Omolú por ter sido rei em terras de Sogbô. é um tokweno e muito amigo de Legbá, onde viajaram juntos por muito tempo, e Legbá o ensinou varias línguas e Avimaje faz as vezes papel de Exú, ele é mensageiro dos Sakpatas, é o único de sua família a virar num pássaro branco, reza a lenda que nas guerras ele vai na frente em forma de pássaro, estuda o inimigo, suas armas e informa os Sakpatas, assim sendo uma família poderosa e vencedora de guerras. Gosta de muito búzios e de palha avermelhada. e de vestir muito branco. Antes de Agué ele era o senhor das folhas. Veste Marrom terra-cota estampado de branco e preto, branco rajado de preto ou multicolorido.
Segí: Tem ligação com Yemanjá, Oxaguian, Ogun. Muito sanguinário, extremamente quente é perigoso. Nessa fase Omolu usa mariwo. Leva uma conta de ferro.Ligado a Esú Onã também..
Afomam: Afomo significa contagiante, infeccioso. Veste a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças. Todas as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com Oxumaré, Oyá e Ogun de quem é companheiro, dança cavando a terra para depositar os corpos que lhe pertencem.
Jagun: É jovem e guerreiro; leva na mão uma lança chamada okó; Tem caminhos com 
Ogunjá, 

Oxaguian, Ayrá, Exu e Oxalufan. Não come feijão preto e é o único que come Igbin (Caracol). 

Jagun é a Divindade Dahomeana da luta, guerra e da execução da morte. É o mais belo 

dançarino do candomblé. Representa o poder "vida/morte", “fome/fartura", "saúde/doença", 
"guerra/paz".  


Omolú/Obaluaiê é o senhor das doenças, é o orixá da renovação dos espíritos,  senhor dos mortos e regente dos cemitérios; considerado o campo santo entre o mundo material e o mundo espiritual.
O orixá é conhecido como Obaluaiêno Candomblé, como Obaluaêna Umbanda, como Xapanã no Batuque. Xapanãé um nome proibido tanto no Candomblé como na Umbanda, não devendo ser mencionado pois pode atrair a doença inesperadamente.
Omolú/Obaluaiê é filho de Nanã, irmão deOxumarê e sua figura é cercada de mistérios. A Ele é atribuído o controle sobre todas as doenças, especialmente as epidêmicas.
O poderoso orixá tem tanto o poder de causar adoença como pode possibilitar a cura do mesmo mal que criou.

O Culto a Omolú/Obaluaiê

Todos os orixás tem uma erva correspondente para defumação
Todos os orixás tem uma erva correspondente para defumação
Tem como emblema o Xaxará (Sàsàrà), espécie de cetro de mão, feito de nervuras dapalha do dendezeiro, enfeitado com búzios e contas, em que ele capta das casas e das pessoas as energias negativas, bem como “varre” as doenças, impurezas e males sobrenaturais. Esta representação nos mostra sua ligação a terra.
A vestimenta de Omolú/Obaluaiê é feita de ìko, é uma fibra de ráfia extraída do Igí-Ògòrò, a palha da costa , elemento de grande significado ritualístico, principalmente em ritos ligados a morte e o sobrenatural, sua presença indica que algo deve ficar oculto.
É composta de duas partes o “Filá” e o “Azé“, a primeira parte, a de cima que cobre a cabeça é uma espécie de capuz trançado de palha-da-costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura, o Azé , seu asó-ìko (roupa de palha) é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos, em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia vai um Xokotô, espécie de calça, também chamado “cauçulú“, em que oculta o mistério da morte e do renascimento. Nesta vestimenta acompanha algumas cabaças penduradas, onde supostamente carrega seus remédios. Ao vestir-se com ìko e cauris, revela sua importância e ligação com a morte.

Festa de Omolú/Obaluaiê

Olubajé



Olubajé é a festa anual em homenagem a Obaluaiê, onde as comidas são servidas na folha de mamona. Rememorando um itan (mito) onde todos os orixás para se acertarem com Obaluaiê, por motivos de ter sido chacoteado numa festividade feita por Xangô por sua maneira de dançar.
Nessa festividade, todos os orixás participam, com exceção de Xangô e principalmente OssaimOxumarêNanã, que são de sua família. Iansã tem papel importante por ser ela que ajuda no ritual de limpeza e trazer para o barracão de festas a esteira, sobre a qual serão colocadas as comidas.
Olubajé é ritual especifico para o orixá Obaluaiê, indispensável nos terreiros de candomblé, no sentido de prolongar a vida e trazer saúde a todos os filhos e participantes do axé. No encerramento deste rito é oferecido no mínimo nove iguarias da culinária afro-brasileira chamada de comida ritual pertinente a vários orixás, simbolizando a Vida, sobre uma folha chamada“Ewe Ilará” conhecida popularmente comomamona assassina, altamente venenosa simbolizando a Morte (iku).

Opanijé

Opanijé, no candomblé é um toque sagrado, entoado para o orixá Obaluaiê, Omolu geralmente tocado para a divisão da comida ritualchamada Olubajé, quando todos em silencio recebem sua porção, e os crentes aproveitam este momento para pedir saúde e longevidade. O orixa dança numa representação simbólica, mostrando sua ligação com os mortos (Ikú) e o seu domínio sobre a terra.  A origem da palavra é a língua yorubá, onde significa “aceitar comer” (opa – aceita), (nijé – comer). Sua dança o orixá dança curvado para frente, como que atormentado por dores, e imitam seu sofrimento, coceiras e tremores de febre......  


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Qualidades

  1. Afoman /Akavan: Tem ligação com Exú.
  2. Arinwarun (ou wariwaru): É um título de xapanan.
  3. Azonsu / Ajansu / Ajunsu: Tem fundamentos com Òşàlà, Òşùmàrè e Ògún. É extrovertido. É ligado ao tempo, as estações do ano e ao culto da terra. É o verdadeiro dono do cuscuzeiro. Veste de vermelho, preto e branco, na perna esquerda leva uma pulseira de aço.
  4. Azoani: É jovem, veste preto e branco. Tem caminhos com Iroko, Òşùmàrè, Yèmọnja e Ọya.
  5. Arawe / Arapaná: Tem fundamento com Ọya.
  6. Ajoji / Ajagun: Tem fundamentos com Ògún e Oşoguian.
  7. Avimaje / Ajiuziun: Tem fundamento com Nana e Ọ̀sónyìn.
  8. Ahosuji / Segí: Tem ligação com Yèmọnja e Òşùmàrè / Besén.
  9. Afenan: É velho, dança curvado, veste a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças. Veste de amarelo e preto. Todas as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com Òşùmàrè e Ọya, de quem é companheiro, dança cavando a terra com Intoto para depositar os corpos que lhe pertencem.
  10. Intoto: Suas contas são vermelho e preto. É um Òrìsá cultuado em seu assentamento e não vira na cabeça de ninguém, pois não tem como cultua-lo. Antigamente recebia sacrifícios humanos, por tratar-se de um Òrìsá antropófago, come a carne e destroi os ossos. Foi esse OMOLÚ que brigou com OSOGUIAN. Caso apareça um ÌYÀWÒ desse Òrìsá, faz-se AZUANI ou ÒSUN. Da-se comida a terra. Esse Òrìsá é ABIKU, portanto não se raspa, pois representa o fundo da terra. Sòmente se assenta. Come com YEWÀ, Ọya e YKU. Seus assentos são cultuados ao lado de NÀNÁ e Yèmọnja. Pega-se um pouco de terra de cemitério e pôe-se no assento. Êle presta obediência a ÒSUN, por quem se apaixonou.Mora só e não aceita a faca, assim como NÀNÁ. Come porco preto, frangos, pombos de cor e galinha d’angola. Come no campo que tenha barro. Quando se faz o ÌYÀWÒ desse santo, todos os Òrìsás viram, exceto SÀNGÓ. Leva-se os bichos e as comidas de Yèmọnja, NÀNÁ e ÒÒSÀÀLÀ, bastante epo, acarajés, feijão preto com ovos cozidos, deburus ( a mesma coisa se faz com YEWÀ ) . Tudo dêle é com dendê. Sua comida : feijão preto com um ôvo cozido no meio, deburus ao redor ( feitos com milho de galinha ) , 9 ovos crus, 9 velas e 9 monsenhor. Pede-se a uma pessoa de ÒGÚN, Ọya ou OMOLÚ para apanhar várias folhas de mamona. Faz-se um buraco redondo de dois palmos, acende-se as velas ao redor e canta-se as rezas se fundamentos. Sacrifica-se o porco depois da reza, copa-se o bicho ali mesmo, pega-se as galinhas pucha-se os ORIS e coloca-se dentro, enfeitando com as comidas e cobrindo com as folhas de mamona. Já fora do campo, passa-se as folhas de mamona e os ovos, jogando-os e não olhando para trás. Para os assentos só se leva os bichos de penas. Além do campo dá-se comida lá fora, no assento dêle. Sete dias depois é que se faz o ÌYÀWÒ com outra qualidade de OMOLÚ. Ficam assim, dois assentos, um lá fora, de INTOTO e outro de AZUANI .Posun/Posuru: É o mesmo Azunsun do Gege, louvado como Possun no ketu e na Angola, tanto é Iroko como Tempo. Come diretamente da terra. Sua dança mostra claramente sua ligação discreta com Èşù e com a terra, dança com garras na mão. Tem caminhos com Intoto, Iroko e Ọya.

  11. Savalu / Sapekó: Tem forte fundamento com Nanã.
  12. Tetu / Etetu: É jovem e guerreiro. Come com Ògún e Ọya. Veste de branco, preto e vermelho.




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Sincretismo Religioso

Dia de Omolú/Obaluaiê é dia 16 de Agosto
Omolú/Obaluaiê é comemorado em 16 de Agosto devido ao sincretismo com São Roque
É sincretizado como São Roque na forma de Obaluaiê, o jovem. Na forma mais velha de Omulú, é sincretizado como São Lázaro.
Omulú é sincretizado com São Roque, que é um santo da Igreja Católica, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões.
A sua popularidade, devido à intercessão contra a peste, é grande sendo protetor de múltiplas comunidades em todo o mundo católico e padroeiro de diversas profissões ligadas à medicina, ao tratamento de animais e dos seus produtos e aos cães.
A  festa em homenagem a Omolú/Obaluaiê é celebrada em 16 de Agosto.

Dia de Omolú e características dos filhos

Saudação de Omolu/Obaluaiê é ATOTÔ!
O dia da semana consagrado a Obaluaiê é segunda-feira e a saudação é ATOTÔ!
 Sua saudação é Atotô!
Uma das características mais marcantes dos filhos de Omolú/Obaluaiê é que seus eles parecem ter mais idade do que realmente têm por conta da entidade ser mais velha e agem como se tivessem uma idade bastante avançada.
Os filhos de Omolú/Obaluaiê são doces, mas reclamões, rabugentos, . Quando querem, fazem e ajudam a todos sem exceção.
Os filhos deste orixá  São fiéis, dedicados e amigos de verdade.  Podem ter premonições e seus filhos tem um pensamento de pessoas maduras, o que os ajuda a não agirem como crianças, ou serem irresponsáveis. Gostam da ordem e disciplina.

Pipoca é a oferenda principal de Omolú/Obaluaiê

Os devotos de Omolú/Obaluaiê lhe atribuemcuras milagrosas, realizando oferendas de pipocas, deburu ou doburu, em sua homenagem ou jogando-as sobre o doente comodescarrego.
Doburu é a comida ritual mais apreciada pelos orixás ObaluaiêOmolú. É o milho de pipoca estourado em uma panela, em alguns lugares com óleo, em outros com areia. Nesse último caso, é preciso peneirar a areia dessa pipoca depois de pronta. Ao final, apipoca é colocada em um alguidar (vasilha de barro) e enfeitada com pedacinhos de côco.

Lenda de Omolú/Obaluaiê

Doente e com o corpo coberto de feridas, Omolúretorna para aldeia onde nasceu e encontra todos os orixás em festa, mas envergonhado de seu aspecto não entra na festa e fica escondido observando os orixás. Ogum percebe que Omolú não veio dançar e compreende a razão, e resolve ir para o mato fazer um capuz de palha da costa para cobrir Omolú da cabeça aos pés.
Feito isto, Omolú entrou na festa, mas mesmo assim não dançava com os orixás. Foi quandoIansã se aproxima e com seu vento sopra a roupa de palha de Omolú e suas feridas pulam para o alto e se transformam numa chuva de pipoca e todos vêem Omolú como um rapaz bonito, sadio e brilhante como Sol.

Trabalhos na linha de Cura para Omolú/Obaluaiê

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Origens de Omolu.

Na antiga África, havia regiões onde os nomes Omolu e Obaluaiê eram considerados duas qualidades de uma mesma divindade. Era comum chamá-los de Omolu-Obaluaiê e de Obaluaiê-Omolu.
Em algumas tradições, tais nomes designavam duas qualidades da divindade Omolu: Obaluaiê era a designação do Omolu Jovem, mais agressivo; e Omolu era o nome reservado para o Omolu Velho, mais introspectivo e severo.
Em outras, a divindade era Obaluaiê: sua qualidade Jovem era o Obaluaiê, propriamente; e o Obaluaiê Velho era chamado de Omolu.
Havia ainda povos do continente africano que cultuavam Omolu e Obaluaiê como divindades distintas.
Essas diferentes interpretações ainda hoje podem ser encontradas no Candomblé do Brasil, por influência das respectivas matrizes africanas.
Outro nome que na África era associado tanto a Omolu quanto a Obaluaiê é Xapanã (Sànpònná), geralmente reservado como designativo do deus da varíola. Acreditava-se que ele punia os malfeitores com a terrível doença, que na época causou muitas mortes. Por isso, o nome Xapanã era temido e não poderia ser pronunciado; se alguém o fizesse, teria de lavar a boca com mel. Mas existem lendas contando que noutras regiões Xapanã era reverenciado como Curador, e não como um deus temido.
Há uma grande variedade de tipos de Omolu (guerreiros e não guerreiros; de idades diferentes; com ligações ou caminhos com outras divindades etc.), mas resumidos pelas configurações básicas do Velho e do Moço.
São muitos os nomes relacionados a esta divindade, às vezes dentro de uma mesma região. Entre eles, temos: Skapatá, Omolu Jagun, Quicongo, Sapatoi, Iximbó, Igui. Isso indica a existência de mitos semelhantes em diferentes grupos tribais da mesma região. O continente africano era imenso, e habitado por povos de culturas muito diferentes entre si, justificando-se essa variedade de interpretações.
Pierre Verger pesquisou as religiões da antiga África e lá viveu por muito tempo; assim como estudou e vivenciou o Candomblé brasileiro.  Por isso, seus registros e informações são importantes, dentro do tema.
No seu livro “Orixás”, Verger fala da confusão que existe a respeito de Xapanã, Obalúayé, Omolu e Molu, pois em alguns lugares eles se misturam; enquanto em outros são considerados deuses distintos. E que Nanã Buruku é também confundida com eles. 
Verger mostra que em algumas regiões há um sincretismo entre duas divindades: Sànpònná- Obalúayé, que veio do leste (onde Nanã é Nàná-Buruku) e Omolu-Molu (vindo do oeste, onde Nanã é Nàná-Brukung). As duas divindades se juntaram e tomaram o caráter único de Keto. Outra hipótese: seria uma divindade única, trazida por migrações leste-oeste (como as dos Ga, que foram de Benim para região de Accra, durante o reino de Udagbede, no fim do século XII), e que depois foi levada para seu lugar de origem com um novo nome que, inicialmente, era apenas um epíteto.
Em Tapá, a divindade Xapanã (Sànpònná) seria o correspondente a Omolu. Mas este nome também aparece associado à divindade Obaluaiê.
Os povos Jêjes, de língua Fon, tinham como divindades os Voduns. A divindade Jêje correspondente a Omolu-Obaluaiê era Sapatá-Ainon, que significa “Dono da Terra”.
O culto Jêje a Sapatá se difundiu na região Mahi, na aldeia chamada Pingini Vedji, perto de Dassa Zumê, porém trazido pelos Nagôs. Em Savalu (região ao norte do Daomé, também na região Mahi), confirma-se a versão de que os Nagôs assimilaram e difundiram esse culto. Conta-se que, liderados por Ahosu Soha, os Jêjes fugiam das regiões destruídas pelas campanhas dos reis de Abomey contra seus vizinhos do leste, vindo a estabelecer-se naquela localidade. Durante seu percurso, Ahosu Soha encontrou em Damê, no rio Weme, os Kadjanu, Nagôs originários da região do Egbadô. Estes Nagôs se dirigiam também para o norte e se juntaram a Ahosu Soha, para se estabelecerem em Savalu, com seu deus Agbosu.
Essa origem Nagô-Iorubá é também revelada por dois fatos: durante sua iniciação, as pessoas dedicadas a Sapatá (os sapatasi) são chamadas de ànàgonu (anago ou nagô); e a língua usada no ritual de iniciação e nas orações é o iorubá primitivo, ainda falado diariamente pelos Aná.
Enquanto os Jêjes cultuavam o Vodun Sapatá, os povos Nagôs (de língua iorubá) tinham divindades semelhantes, denominadas Orixás, e as chamavam de Obaluaiê e
Omolu, indistintamente.
Verger comenta haver relatos sobre a existência de dois Xapanã. Um era Sànpònná-Airo, de origem Tapá. O outro teria vindo do Daomé para Oyó e era chamado Sànpònná-Boku, nome que o aproxima de Nanã Buruku e que também revelaria os laços existentes entre Obaluaiê e Nanã.
Sombrio e grave como Nanã (sua mãe) e como Iroko e Oxumaré (seus irmãos), Omolu é, portanto, uma divindade da cultura Jêje, depois assimilada pelos Nagôs.
A comprovação de que as divindades Jêjes são mais antigas que as dos Nagôs-Iorubás foi estudada por Pierre Verger, como já foi visto, com base nas guerras e movimentos migratórios dos povos africanos, quando os conquistadores muitas vezes encontravam entre os povos dominados divindades mais antigas e para eles desconhecidas, e vice-versa; e acontecia de uns assimilarem as divindades dos outros. Mas um fator decisivo apontado por Verger, também com base em registros históricos, é o fato da não utilização de instrumentos de ferro nos rituais de sacrifício animal para Omolu, Obaluaiê e Nanã; indício de que eram divindades cultuadas antes da Idade do Ferro e, portanto, também anteriores a Ogum (considerado o dono do ferro e de todos os metais).
Um aspecto interessante a ser analisado diz respeito às diferenças de arquétipo entre os mitos dos vários povos africanos.
As divindades dos Nagôs (os Orixás) são extrovertidas, alegres e têm características de comportamento (ciúmes, temperamento guerreiro, docilidade, irritação etc.) que as identificam e aproximam dos seres humanos.
As divindades Jêjes (os Voduns) apresentam um comportamento mitológico austero, grave e ameaçador, decorrente de uma visão religiosa na qual há um maior distanciamento entre deuses e humanos. Qualquer aproximação dos deuses era motivo para se temer uma tragédia; e daí vinha o conceito de que a divindade trazia a morte, a doença etc.
No encontro dessas duas culturas, os Nagôs-Iorubás passaram a ver as divindades mais sombrias dos Jêjes como fonte de perigo e temor. No caso específico de Omolu, ele seria o registro da passagem de castigos sociais, ficando relacionado a epidemias (como a varíola, que na época dizimava comunidades inteiras). Acreditava-se que Omolu castigava com violência o ser humano que faltasse com ele ou com um filho seu. Dentro dessa visão, uma negociação ou um aplacar da atuação de Omolu era difícil de obter; sendo mais provável de ser alcançada em relação aos Orixás dos Nagôs-Iorubás (menos severos e mais “humanos”).
Na tradição africana, Omolu é filho de Nanã e Oxalá.
É irmão carnal de Iroko e Oxumaré e irmão adotivo de Ogum e Exu.
Seu parentesco com Oxumaré e Iroko é observado em Ketu, onde se pode ver uma lança (okó Omolu) cravada na terra e esculpida em madeira, na qual figuram Omolu, Oxumaré e Iroko. Também é observado em Fita, próximo de Pahougnan, território Mahi, onde o rei Oba Sereju recebeu o fetiche Moru, composto de três fetiches: Moru (Omolu), Dan (Oxumaré) e Loko (Iroko).
Segundo as lendas, Omolu é, ainda, o irmão mais velho de Xangô Ajaká.

  • E porque Xangô destronou um Omolu velho e assumiu seu lugar, existiria uma rivalidade entre os dois Orixás. Por este motivo, filhos de Omolu não participam da roda de Xangô; no Olubajé, a grande cerimônia em honra de Obaluaiê-Omolu, não entra amalá (comida tradicional de Xangô); e na comida de Xangô não entram as pipocas (comida ritual de Omolu e de Obaluaiê).


Assim como Nanã, Omolu é o patrono dos kauris (búzios).
Ele carrega uma lança de ferro e veste um capuz de palha da costa ornado de búzios e cabaças; traje de grande significado e indispensável em todo ritual ligado à morte e ao sobrenatural.
O ikó é a fibra da ráfia, obtida das palmas novas de Yigyogóro (a palmeira do dendê ou dendezeiro), árvore sagrada. A palha é obtida dos talos centrais da palmeira ainda nova, antes que as suas folhas se abram e se curvem.
O fato de Omolu cobrir-se com ikó e de ornar-se com búzios e cabaças mostra que estamos na presença de um Orixá ligado diretamente com a morte e que suas atuações estão envoltas em mistérios que somente os iniciados podem acessar.
Uma versão fala que essa vestimenta lhe foi dada por Ogum. Outra, que ele a recebeu de seu irmão Oxóssi. Uma terceira diz que foi Yemanjá quem a teceu. Todas as lendas narram que ele a recebeu para cobrir suas chagas e, principalmente, para cobrir os próprios olhos, pois eles contêm o brilho do sol e quem os olhasse diretamente ficaria com a visão prejudicada.
Omolu é o dono da terra.
A ele pertencem todos os grãos, e ele é quem nos dá todo o tipo de alimentos. Por isso, também é muito associado aos troncos e aos ramos das árvores.
Suas comidas secas (isto é, em que não há sacrifício animal) incluem água, milho branco, acaçá, aberém sem tempero, arroz, feijão preto com dendê, pipocas (“latipá doburu”), verduras refogadas no dendê (efó).
Entre as comidas secas, as quizilas (euós ou proibições) são: peixe de pele, feijão, caranguejo, jaca, folhas trepadeiras. E os filhos deste Orixá não podem fazer uso da cachaça.
Os animais tradicionalmente oferendados a Omolu são: porco, cabrito, galos carijós, frangos rajados, galinha d'angola, tatu, cágado, patos pretos e brancos.
Sua grande “quizila” (euó) é o carneiro.
Ele transporta o axé preto, vermelho e branco.
Quanto aos fios de contas, o colar tradicional de Omolu é o laguidibá, feito de pequenas sementes de palmeira importada, ou então talhadas em pedaços de casca de coco, sempre bem juntas e de cor preta.
Também são usados os brajás de búzios brancos, numa associação aos mortos.
Outras opções: colares de contas de louça marrom com riscas pretas; ou de contas de louça vermelha com riscos pretos.
A qualidade Omolu Jagun usa laguidibá vermelho e também contas de louça vermelhas e pretas alternadas.
Na Tradição Angola, Omolu (o Velho) usa miçangas pretas e brancas. E Obaluaiê (o Moço) geralmente usa contas pretas, vermelhas e brancas. Dependendo da qualidade, usará o amarelo, o preto e o marrom.
No Ketu, a cor branca simboliza o frio, a imobilidade, o silêncio, a criação e a morte. A
cor preta é associada à terra e aos mortos. O vermelho simboliza o sangue, a guerra, o fogo, a geração e o movimento. O marrom tem o mesmo simbolismo que o vermelho. E o amarelo é uma cor benéfica, que lembra a riqueza, a fecundidade e a fertilidade.
Na preparação dos colares nunca se usam fios plásticos, de náilon ou sintéticos.
No Culto de Nação e no Candomblé, Omolu é associado ao número 14. Por esse motivo, seus
colares são de 14 fios e com 14 firmas (ou em número relacionado a 14).
Sua saudação é ATÓTÓ- que quer dizer: silêncio, calma. Uma reverência ao Grande Orixá Velho, diante do qual devemos manter silêncio, submissão e respeito.
No Candomblé o dia consagrado a Omolu é a segunda-feira.

3- A dança de Omolu no Candomblé Jêje-Nagô

O Olubajé é a grande cerimônia realizada no Candomblé para saudar Omolu (filho do senhor), bem como Obaluaiê (rei da terra), Onilé (senhor da terra) e Sapatá e Xapanã (deus da varíola). É celebrado nas Casas de Candomblé do Rio de Janeiro e de Salvador/Bahia e nos chamados Terreiros Nagô ou Jêje-Nagô da cidade de São Paulo.
É um banquete, onde o Orixá recebe de sete a vinte e uma comidas rituais, que são colocadas em potes e alguidares, sobre folhas especiais, esteiras e panos do mais puro branco.
Participam do banquete, também recebem oferendas e dançam com Obaluaiê-Omolu
os Orixás da sua família mítica.
Oxumaré (seu irmão) é o primeiro a dançar; após, vem Nanã (sua mãe); em seguida, Yemanjá (a mãe adotiva); depois, Yansã (a amiga e companheira que reina com ele sobre os espíritos dos mortos). Fechando a noite de gala, vem Oxalá, “o pai da criação”.
No dia da festa, a coluna central do espaço sagrado é envolvida por grandes laços de tecidos multicoloridos, de onde sobressaem o branco, o preto e o vermelho, que são as cores de Omolu. Da coluna central partem guirlandas de longos e numerosos fios de pipocas, formando uma espécie de “segundo teto” do barracão.
Há uma sequência de toques dos atabaques, para cada momento da grande celebração, e dependendo de qual divindade é saudada ou se faz presente entre os devotos. Pois o som carrega axé, e o ritmo tem uma natureza idêntica à natureza do Orixá. Alguns toques são acompanhados de cânticos e louvações.
Omolu dança ao toque Opanijé.






Ele dança com o corpo curvado para a terra e faz movimentos lentos ora para a direita, ora para a esquerda. Veste sua roupa de palha (azê) e carrega um cetro (xaxará) e uma lança de ferro (okó).
Durante a cerimônia, os devotos são abençoados, diversas vezes, com o derramamento de pipocas consagradas, com a finalidade de purificação e cura. [*Nota: O ritual do Olubajé é descrito de forma detalhada no livro “O Banquete do Rei - Olubajé”, de José Flávio Pessoa de Barros, Editora Pallas.]
Nas demais celebrações do Candomblé Ketu, a dança de Omolu geralmente se faz também ao toque Opanijé (usado no Olubajé, e igualmente dedicado a Obaluaiê, Onilé, Sapatá e Xapanã). É um ritmo lento, marcado por batidas fortes do Run (o atabaque maior do conjunto, de tom grave), e tem poucas cantigas, sendo na maioria das vezes apenas instrumental.
Dentro dos ritmos Jêje, a dança de Omolu acontece ao toque Vivauê.
Os ogãs precisam ter respeito pelos atabaques, pois a Omolu pertencem os couros e
Ele é o padrinho de todos os ogãs. Quando se faz oferenda aos atabaques, também se faz a Omolu.

4-Em resumo:

Obaluaiê ou Omolu- Na África, esses nomes geralmente se referem às fases míticas,
onde o mesmo deus seria mais jovem ou mais velho.
Omolu é a energia que rege as pestes (como a varíola, o sarampo, a catapora), as doenças de pele e as doenças transmissíveis em geral.
Também, e principalmente, é o “onixegum” ou “nixegum” médico, curandeiro, médico dos orixás- no dizer dos Candomblés da Bahia.
Omolu rege também:
*a força da terra (herdada de sua filiação a Nanã);
*a umidade da terra (porque foi adotado por Yemanjá);
*e as doenças das plantações.
Ele representa:
*o ponto de contato do homem com o mundo (a terra);
*a interface pele-ar;
*a aparência das coisas estranhas e a relação com elas.
No aspecto positivo, ele rege e cura, através da morte e do renascimento.
Em Salvador/Bahia, todo dia 16 de agosto, em frente à igreja de São Lázaro, diversos devotos de São Lázaro, de Omolu e de Obaluaiê recebem os populares banhos de pipocas (as flores de Omolu-Obaluaiê), no intuito de se livrarem de doenças e de evitá-las. Quando o assunto é doença, as promessas geralmente são dirigidas a Obaluaiê (o jovem médico), ou a Omolu (o velho médico).
Os Iorubás acreditam que este mito ou divindade nos mostra que o mal existe e que
pode ser curado; mas, principalmente, que é preciso ter consciência do momento em que ele terminou, para que saibamos recomeçar depois de um sofrimento violento.

Lendas

1-Omolu se torna o grande curador
Quando Omolu era um menino de uns doze anos, saiu de casa e foi para o mundo para fazer a vida. De cidade em cidade, de vila em vila, ia oferecendo seus serviços, procurando emprego. Mas não conseguia nada. Ninguém lhe dava o que fazer, ninguém o empregava; e ele teve que pedir esmola. Mas ao menino ninguém dava nada, nem do que comer, nem do que beber. Tinha um cachorro que o acompanhava, e só.
Omolu e seu cachorro retiraram-se no mato e foram viver com as cobras.
Omolu comia do que a mata dava: frutas, folhas e raízes. Mas os espinhos da floresta feriam o menino. As picadas de mosquitos cobriam-lhe o corpo. Omolu ficou coberto de chagas. Só o cachorro confortava Omolu, lambendo-lhe as feridas.
Um dia, enquanto dormia, Omolu escutou uma voz:
       “Estás pronto. Levanta e vai cuidar do povo.”
Omolu viu que todas as feridas estavam cicatrizadas, não tinha dores nem febre. Juntou suas cabacinhas de água e remédios que aprendera a usar com a floresta, agradeceu a Olorum e partiu.
Naquele tempo, uma peste infestava a Terra. Por todo lado morria gente, todas as aldeias enterravam seus mortos. Os pais de Omolu consultaram um babalaô, que lhes disse que Omolu estava vivo e que ele traria a cura para a peste. E assim foi.
Todo lugar aonde chegava, a fama precedia Omolu. Todos o esperavam com festa, pois ele curava. Os que antes lhe negaram até mesmo água de beber agora imploravam por sua cura. Ele curava a todos, afastava a peste. Então dizia que se protegessem, levando na mão uma folha de dracena (o peregum) e pintando a cabeça com efum, ossum e uági (os pós de cor branca, vermelha e azul usados nos rituais e encantamentos). Omolu curava os doentes e, com o xaxará, varria a peste para fora da casa, para que a praga não pegasse outras pessoas da família. Limpava as casas e aldeias com o xaxará, sua mágica vassoura de fibras de coqueiro, seu instrumento de cura, seu símbolo, seu cetro.
Ao voltar para casa, Omolu curou os pais. Todos estavam felizes. Todos cantavam e louvavam o curandeiro e o chamaram de Obaluayê (Senhor da Terra). Todos davam vivas ao Senhor da Terra, Obaluayê. (Reginaldo Prandi, “Mitologia dos Orixás”, 2005.)
2-Como Omolu ganhou suas chagas e foi curado por Yemanjá
Por causa do feitiço usado por Nanã para engravidar, Omolu nasceu todo deformado. Desgostosa com o aspecto do filho, Nanã abandonou-o na beira da praia, para que o mar o levasse. Um grande caranguejo encontrou o bebê e atacou-o com as pinças, tirando pedaços da sua carne.
Quando Omolu estava todo ferido e quase morrendo, Yemanjá saiu do mar e o encontrou. Penalizada, acomodou-o numa gruta e passou a cuidar dele, fazendo curativos com folhas de bananeira e alimentando-o com pipoca sem sal nem gordura, até que o bebê se recuperou. Então Yemanjá criou-o como se fosse seu filho.
3-Xapanã ganha o segredo da peste na partilha dos poderes de Olodumare
Olodumare um dia decidiu distribuir seus bens. Disse aos seus filhos que se reunissem e repartissem entre si as riquezas do mundo. Ogum, Exú, Ocô, Xangô, Xapanã e os outros orixás deveriam dividir os poderes e mistérios sobre as coisas na Terra.
Num dia em que Xapanã estava ausente, os demais orixás se reuniram e dividiram todos os poderes entre si, não deixando nada de valor para Xapanã. Um ficou com o trovão; o outro recebeu as matas; outro quis os metais; outro ganhou o mar. Escolheram o ouro, o raio, o arco-íris; levaram a chuva, os campos cultivados, os rios. Tudo foi distribuído entre eles, cada coisa com seus segredos, cada riqueza com o seu mistério. A única coisa que sobrou sem dono, desprezada, foi a peste.
Ao voltar, nada encontrou Xapanã, a não ser a peste, que ninguém quisera.
Xapanã guardou a peste para si, mas não se conformou com o golpe dos irmãos. Foi procurar Orunmilá, que lhe ensinou a fazer sacrifícios, para que seu enjeitado poder fosse maior que o dos outros. Xapanã fez sacrifícios e aguardou.
Um dia, uma doença muito contagiosa começou a espalhar-se pelo mundo. Era a varíola. O povo, desesperado, fazia sacrifícios para todos o orixás, mas nenhum deles podia ajudar. A varíola não poupava ninguém, era uma mortandade. Cidades, vilas e povoados ficavam vazios.
O povo foi consultar Orunmilá para saber o que fazer. Ele explicou que a epidemia acontecia porque Xapanã estava revoltado, por ter sido passado para trás pelos irmãos. Orunmilá mandou fazer oferendas para Xapanã. Só Xapanã poderia ajudá-los a conter a varíola, só ele tinha o poder sobre as pestes, só ele sabia os segredos das doenças. Tinha sido esta sua única herança.
Então, todos pediram proteção a Xapanã e sacrifícios foram realizados em sua homenagem. A epidemia foi vencida. E Xapanã agora era respeitado por todos. Seu poder era infinito, o maior de todos os poderes.
4-Omolu ganha pérolas de Yemanjá
Omolu foi salvo por Yemanjá quando sua mãe, Nanã Buruku, ao vê-lo doente e coberto de chagas, abandonou-o numa gruta perto da praia.
Yemanjá recolheu Omolu e o lavou com a água do mar. O sal da água secou suas feridas. Omolu tornou-se um homem vigoroso, mas ainda carregava as cicatrizes, as marcas feias da varíola.
Yemanjá confeccionou para ele uma roupa toda de ráfia, com a qual ele escondia as marcas de suas doenças. Era um homem poderoso, andava pelas aldeias e, por onde passava, deixava um rastro ora de cura, ora de saúde, ora de doença, Mas continuava sendo um homem pobre.
Yemanjá não se conformava com a pobreza do filho adotivo. Ela pensou:
     “Se eu dei a ele a cura, a saúde, não posso deixar que seja um homem pobre”. E ficou imaginando quais riquezas poderia lhe dar.
Yemanjá era a dona da pesca, tinha os peixes, os polvos, os caramujos, as conchas, os corais. Tudo aquilo que dava vida ao oceano pertencia a sua mãe, Olocum, que dera tudo a Yemanjá.
Yemanjá resolveu então ver suas jóias. Tinha algumas, mas enfeitava-se mesmo era com algas, com água do mar, vestia-se de espuma e se admirava com o reflexo de Oxu, a Lua. Yemanjá se lembrou de que tinha uma grande riqueza, que eram as pérolas que as ostras fabricavam para ela. Muito contente com esta lembrança, chamou Omolu e lhe disse:
     “De hoje em diante, és tu quem cuida das pérolas do mar. Serás chamado de Jeholu, o Senhor das Pérolas”.
Por isso as pérolas pertencem a Omolu. Por baixo de sua roupa de ráfia, enfeitando seu corpo marcado de chagas, Omolu ostenta colares e mais colares de pérola, belíssimos colares. (“Mitologia dos Orixás”, Reginaldo Prandi, 2005.)

Divindades assemelhadas

Hades- Divindade grega. Deus dos mortos, que morava no mundo subterrâneo. Filho de Cronos e Réia. Tem um cão de três cabeças (Cérbero), que fica na entrada do mundo subterrâneo, desempenhando a função de seu guardião, para evitar que os vivos entrassem e para assustar os mortos que chegavam. Entre os romanos, é Plutão.
Yama- Divindade hindu masculina da morte. No Ramayana, ele se passa por cachorro, salvando Rama da morte.
Anúbis- Divindade egípcia masculina da morte; o grande juiz dos mortos.
Arawn- Divindade celta da morte. Aparece sempre acompanhado de lobos brancos.
Iwaldi- Divindade escandinava. É “o anão da morte”, que esconde a vida no fundo do oceano.
Tung-Yueh Ta-ti (Tong Yue Dadi)- Divindade chinesa do sagrado monte Tai Shan e dirigente do mundo subterrâneo. É ele quem calcula, num ábaco, o tempo de vida que cada um tem na Terra. Senhor da morte, é responsável pelo desencarne.
Mictlantecuhtli- Divindade asteca. Deus da morte, Senhor de Mictlán, o reino silencioso e escuro dos mortos.
Ah puch- Divindade maia da morte, senhor do reino dos mortos.

Oferenda: Velas roxas; crisântemos brancos; flores do campo roxas; vinho tinto seco;
água mineral; um coco seco aberto só nos “olhinhos,” o suficiente para se colocar dentro dele um pouco de mel; um punhado de sal grosso; um punhado de terra vegetal coberta por fios de palha da costa; uma porção de pipoca coberta de coco ralado e estourada em azeite doce (ou no dendê, se for uma oferenda para o corte de magia negativa); frutas (de preferência, as de casca ou polpa escura); ervas.

Onde oferendar: No cemitério (na parte esquerda do cruzeiro); à beira-mar.

Quando oferendar:
Para pedir a cura de doenças. Especialmente nos casos de doenças auto-imunes, infecto-contagiosas, ósseas, musculares e de pele;
Para proteção e defesa contra magias negativas, atuações mentais negativas, ataques externos etc.;
Para o equilíbrio e a cura de enfermidades e desequilíbrios no campo sexual;
Para superar vícios de difícil tratamento;
Para vencer o desamor e o desânimo diante da vida, buscando a recuperação da autoestima e da autoconfiança;
Para o tratamento de processos de obsessão e perturbações ligadas a presenças espirituais desequilibradas no campo magnético do enfermo.

Amaci: Água de fonte com pétalas de crisântemos brancos, que devem ser maceradas e curtidas por sete dias.

Cozinha ritualística:

1-Arroz branco coberto com pipoca e enfeitado com fatias de pão preto regadas com dendê.
2-Pipoca feita no dendê e enfeitada com tirinhas de coco.
3-Feijoada: Preparar uma feijoada comum e depois temperar com dendê e cebola roxa. Enfeitar com tirinhas de coco.
4-Feijão preto com camarão: Cozinhar em ponto firme e apenas em água um punhado de feijão preto. Escorrer a água e reservar. Em separado, refogar no dendê um punhado de camarão fresco (ou camarão seco previamente dessalgado), cebola roxa picadinha e temperos (cheiro verde, orégano etc.). Juntar o feijão cozido e refogar ligeiramente. Servir num alguidar ou num prato de papelão forrado com coco (ralado ou em tirinhas), ou então com folhas de taioba. Pode-se fazer apenas o feijão com a cebola, passados no dendê (sem o camarão).
5-Carne de porco: Um pedaço de carne de porco, um pouco de dendê e meio quilo de cebola roxa. Aquecer o dendê e passar a carne de porco nesse azeite, só para dourar.  Juntar um pouco de água para cozinhar levemente a carne. Cortar a cebola e passar no dendê quente, rapidamente, para não murchar. Colocar a carne num alguidar ou num prato de papelão forrado com folhas de taioba e cobrir com a cebola.
6- Aberém: Pequenas porções de massa de acarajé (ou de milho), sem sal. Enrolar em em folha de bananeira e cozinhar em banho-maria. Depois, regar com mel (ou dendê).

Alguns Caboclos de Omolu: Caboclo Terra Roxa (Omolu e Nanã), Caboclo Rompe Terras (de Ogum e Omolu), Caboclo Africano, Caboclo Folha Seca (regência de Oxóssi e Omolu), Caboclo Cipó Preto (Oxóssi e Omolu), Caboclo Arranca Toco (arranca= Ogum; toco= árvore que secou= Omolu); Caboclo Quebra toco (quebra= Ogum; toco=Omolu), Caboclo Pedra Preta (Oxalá e Omolu).

Alguns Exus de Omolu: Exu da Terra (Omolu e Obá); Exu Terra Preta; Exu Treme Terra (Omolu e Obá); Exu Caboclo (=da terra); Exu do Toco; Exu Trinca Ferro (de Ogum e Omolu: porque trincar o ferro é reduzi-lo a pedaços; vai estilhaçar, vai soltar “pó de ferro”); Exu Pedra Preta (Oxalá e Omolu); Exu do Pó; Exu Sete Poeiras (de Omolu e Iansã: porque a poeira é terra que vai pelos ares, que se movimenta com o vento); Exu Toco Preto.
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QUALIDADES
 No Candomblé, Omolu é associado ao número 14. 
Em consequência, considera-se que são 14 as suas Qualidades.

As encontradas com mais frequência são estas:

1-Akavan- Tem ligação com Oyá. Veste estampado.

2-Azonsu/Ajunsu- Tem fundamentos com Oxumaré, Oxun e Oxalá. Carrega lança e veste branco.

3-Azoani- É jovem. Veste vermelho, palha 
vermelha Tem caminhos com Iroko, Oxumaré, Yemanjá e Oyá.

4-Arawe/Jagun- Tem fundamento com Oyá e Oxalá.

5-Ajoji / Jagun- Tem fundamentos com Ogun e Oxagian.
6-Avimaje-Tem fundamento com Nanã, 
Ossain e Odé.
7-Ajoji /Segí/Jagun- Tem ligação com 
Yemanjá, Oxumaré e Nanã.

8-Afomam ou Afenan- Veste a estopa e 
carrega duas bolsas de onde tira as doenças. 
Veste-se de amarelo e preto. Todas as plantas 
trepadeiras lhe pertencem. Tem caminhos 
com Oxumaré e com Ogun, de quem é 
companheiro. Dança com o corpo curvado, 
cavando a terra, como Intoto, para depositar 
os corpos que lhe pertencem.
9-Agbagba Jagun- Tem fundamento com Oyá.
10-Itubé Jagun/Jagun ou Ajagun - Tem 
caminhos com Oxalá. É jovem e guerreiro. 
Leva na mão uma lança chamada okó. É 
vingativo e ambicioso, luta para alcançar 
posição alta sem ver de que maneira. Tem 
caminhos com Ogunjá, Oxaguian, Ayrá, Exu e 
Oxalufan. É cultuado no dia 17 de dezembro. 
Veste branco e preto e suas contas são 
rajadas. Em seu cântaro (moringa de uma asa 
só) se colocam jóias e dinheiro. Não come 
feijão preto. Sua comida inclui miúdos de boi 
no azeite doce (e não em dendê, como a dos 
outros). Ele é o único que come igbin (caracol 
ou caramujo, que é tradicionalmente oferecido 
para Oxalá, sendo popularmente chamado de 
“boi de Oxalá”).
11-Ìpòpò: Tem forte fundamento com Nanã. Usa biokô.
12-Tetu / Etetu Jagun: É jovem e guerreiro. Recebe oferenda com Ogum e Oyá. Veste  branco, usa biokô.
13-Agòrò: Veste branco, usa biokô com franjas de palha
14-Itetù Jagun: Ligado a Yemanjá e Oxalá.
Aparecem ainda vários nomes, títulos e qualidades parecidas: Ajágùsí, Topodún, Janbèlé, Parú, Polibojí, Akarejebé, Aruajé, Ahoye, Olutapá, Sapatá Ainon, Wari Warún etc.
Algumas Casas fazem ainda referência às seguintes Qualidades de Omolu:
1-Saponan- É o mais antigo. Deus da varíola e das doenças de pele. Tem caminhos com Oxóssi. Seu nome não deve ser pronunciado. Na África, quando se fala seu nome, coloca-se mel na boca. Recebe oferendas com Exu e tem fundamento nas encruzilhadas. Suas contas são brancas e pretas.
3-Possun- No Jêje é louvado como Azanssun, ligado ao tempo, às estações do ano e ao culto da terra. É o verdadeiro dono do cruzeiro. Seu assentamento é feito no barro vermelho. Veste-se de vermelho, preto e branco. Na perna esquerda leva uma pulseira de aço.
No Keto e na Angola é reverenciado como Tempo. Recebe oferendas diretamente na terra. Sua dança mostra claramente sua ligação com Exu e com a terra: dança com garras nas mãos, como se estivesse cavando a terra ou retalhando alguma coisa. Animais para oferenda: cágado e tatu. Tem caminhos com Intoto, Iroko e Oyá.
4-Intoto- Suas contas são em vermelho e preto. É um Orixá cultuado apenas em seu assentamento (não “vira” na cabeça de ninguém). Representa o fundo da terra. Recebe oferendas com Ewá, Oyá e Iku. Seus assentos são cultuados ao lado de Nanã e Yemanjá. Não aceita a faca, assim como Nanã. Suas oferendas sempre levam dendê e são feitas no campo que tenha barro. Animais para oferenda: porco preto, frangos, pombos de cor e galinha d'angola.

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Atotô, amado Pai Omolu,
Vós que sois o Velador Sagrado da Vida!

Salve o Vosso Poder de Infinito Amor,
Que acolhe os que se perderam nos caminhos da vida na carne, iludidos com o poder transitório das luzes artificiais do mundo, que tantas vezes nos cegam.

Salve a Vossa Compaixão,
Que recolhe, para reconduzir,
Aqueles que não cabem em nenhum outro abraço porque agiram nas sombras para atacar outras vidas
E se esqueceram de abrir os próprios braços para a Grande Vida que nos foi concedida por DEUS.

Salve a Força Curadora do Vosso Manto,
Que primeiro traz a morte, o esquecimento e a paralisação das ilusões,
Para depois dar o Renascimento às almas viciadas.

Salve a Força Divina do Vosso Alfanje,
Que ceifa o mal que nos pretendam fazer.

Salve a Vossa Bondade de Pai,
Que é o nosso amparo em todas as empreitadas na prática espiritual sincera em benefício de nós mesmos e dos nossos semelhantes.

Salve o Vosso Caminhar Lento,
Que nos lembra que tudo tem seu tempo e que tudo acontece a tempo e hora.

Salve os Vossos Domínios,
Que nos alertam para a impermanência de todas as coisas
E nos despertam para os verdadeiros valores da vida.

Salve a Vossa Existência,
Que provém do Divino Criador e que,
No silêncio das eras,
É a sustentação das energias que nos mantêm saudáveis, ativos e capazes de continuar caminhando e evoluindo passo a passo.

Atotô, amado Pai Omolu!
Os Vossos filhos da Umbanda pedem licença para reverenciar e pronunciar o Vosso Nome Sagrado
E para ensiná-Lo às crianças, aos mais jovens, a todos os irmãos de fé
E aos irmãos de todas as crenças.
Pedimos essa licença, amado Pai, para que todos saibam e se lembrem
Da Grandeza do Vosso Amor por nós
E da Força Libertadora que o Vosso Nome traduz.

Atotô, Senhor Omolu!
Por tudo isso nós agradecemos, Pai. 
E pedimos a Vossa Bênção
Para todos nós
E para as nossas gerações passadas e futuras.
Que assim seja, e assim será.


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ORAÇÃO DE OBALUAÊ!!!!!!!!!
Atotô babá Orixá senhor omulu, das almas e dos vivos.
Por isso, nosso senhor jesus cristo eu lhe imploro,não permita, senhor que nenhuma doença se instale em meu organismo.
Limpa minha cabeça, meus olhos, minha garganta, minha pele e minha carne, meu corpo e minha alma.
Que a sua benção e a sua luz me recobrem a saúde e a força de meus orgaõs.
Realize, meu pai os meus desejos[faça pedido] e dê a mim apenas o que for de meu merecimento.
Perdoe meus erros e minhas faltas.
Abra meus caminhos e ilumine ,minha 

vida, com seu raio de amor.

Foto



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são lazaro







IMPORTANTE  SABER
Quizilas dos orixás
Quizila é tudo aquilo que o nosso orixá rejeita, por qualquer motivo peculiar, que por vezes desconhecemos.
Algumas das principais quizilas conhecidas são:
- Não passar atrás de corda de animal
- Não deixar passar com fogo nas nossas costas
- Não pagar nem receber dinheiro em jejum
- Não passar embaixo de escadas
- Não comer abóbora
- Não comer peixe de pele ( só comer peixe de escamas )
- Não comer carangueijos
- Não comer siri
- Não comer muçum ou arrai ( quizila de Oxun )
- Não comer cajá
- Não comer carambola ( pertence a Egun )
- Não comer fruta-de-conde ou sapoti
- Evitar abacaxi ( quizila de Omolu )
- Evitar comer carne de porco ( quizila de Omulu )
- Evitar manga-espada ( quizila de Ogun )
- Evitar manga-rosa ( quizila de Yasán )
- Evitar tangerina ( quizila de Oxóssi )
- Não comer caça ( quizila de Oxóssi )
- Não comer carne nas segundas e sexta-feiras
- Usar roupa branca nas segundas e sextas-feiras
- Evitar carne de pato ( quizila de Yemanjá )
- Evitar carne de ganso ( quizila de Oshumarê )
- Não comer carne de pombo ou galinha D'angola
- Não ter em casa penas de pavão ( tiram a sorte )
- Não varrer casa à noite
- Evitar côco ( quizila de Oxóssi )
- Evitar melancia ( quizila de Oxun )
- Evitar fubá de milho ( quizila de Oxóssi )
- Não pregar botão em roupa no corpo
- Não usar roupas pretas ou vermelhas
- Evitar cemitérios
- Não comer a comida queimada do fundo das panelas
- Evitar aipim ou mandioca ( pertencente a Egun )
- Não comer bertália
- Não comer taioba ( quizila de Anamburucu )
- Não comer pepino
- Não comer pepino
- Não comer das folhas do jambo
- Não comer jaca
- Evitar ovos ( quizila de Oxun )
- Não comer as pontas : cabeças, pés e asas de aves
- Não jurar pelo santo, nem pedir mal aos outros
- Nunca se fala cuscuzeiro nem cuscuz, para não revoltar Obaluayiê e Omulu fala-se agerê e bolo branco.- Filho de Oxóssi não come milho vermelho, nem milho verde.
- Nunca misturar ori com epô.-Quando estiver em dúvida sobre uma qualidade de Orixá, não coloque azeite de dendê no Okutá do santo. Substitua o dendê pelo azeite de Oliva ( doce ), que pertence a Oxalá e pode ser usado por qualquer Orixá.- Evitar comer uva itália ( quijila de Ogun ) 
Evitar mostarda ( quizila de Anamburucu ) - Oxalá tem quizila a todas as comidas preparadas no azeite de dendê, portanto os filhos de Oxalá não podem comer delas.- Não comer amoras e evitar passar embaixo do pé de amora ( pertence a Babá Egun ) Notas:
- O povo de Keto não faz mal aos outros. O vingador, para todas as ocasiões, chama-se Bará Alaketo, que é o Exú que responde pelas injustiças que nos fizerem.- Os búzios para assentamento de Santo ( Orixá ) são sempre Abertos.- Nunca se faz um Santo sem dar presente à Osanyin. - Não se assenta Omulu sem se assentar Anamburucu.
- Não se assenta Nanã sem assentar Omulu.
- O pelepé em cima de talha é feito principalmente em casas de Angola.- Ifá é o Deus da adivinhação.
- Costuma-se assentar Omulu e Obaluayiê sete dias antes da feitura.
- Nunca se faz Ogún sem assentar Oxóssi.
- Nunca se faz Oxóssi sem assentar Ogún.
- Nunca se faz Oshún sem assentar Yemanjá.
- O Bará e conferido e tratado três dias antes da feitura, quando se lhe dá comida.
- Quando se faz Oxalá, se assenta Oshún e Yemanjá.
- Sempre que recolher um Yawo , usa-se um pote para fazer o Omieró ou Abô do Santo que estiver recolhido.- Na terra de Keto não existe caboclo. Porém, no brasil o caboclo é um elemente nosso, ao qual respeitamos e admitimos como catiço e é tão respeitado como um Orixá.
- Shangô costuma ser assentado seis dias antes de sua feitura.

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REZAS

Ode tó wa
Sile Sile Nire
Sí Oman Sí Oman
Ile Ire
Ode to wa
O sile níre
(O Caçador é suficiente para a nossa casa ser FELIZ)


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                 ATOTÔ!
SE EU VEJO UM VELHO NO CAMINHO EU PEÇO A BENÇÃO (2X)
DEUS LHE ABENÇOE, DEUS LHE ABENÇOE
DEUS LHE ABENÇOE, OBALUAYÊ, DEUS LHE ABENÇOE!
============================================
OBALUAYÊ, OLHA A SUA FILHA
O SENHOR TEM FORÇA!
DÊ FORÇAS A ELA
A VÓS QUE VOS CHAMA
OBALUAYÊ AJUDE ESTA CAMBONA!
============================================
OMULU, AIÊ, ATOTÔ,
É UM ORIXÁ!
PEDE QUE ELE DÁ, ATOTÔ,
ELE É ORIXÁ!
MEU PAI OXALÁ,
MEU DEUS, VENHA ME VALER (BIS)
MEU VELHO ATOTÔ
OMULU, OBALUAYÊ (BIS)
QUÊ, QUERÊ, QUÊ QUÊ, Ô GANGA
PISA NA MACUMBA DE GANGA.
QUE, QUERÊ, QUÊ QUÊ, Ô GANGA.
SARAVÁ SEU OMULU, QUI É GANGA.
============================================
O VELHO OMULU
VEM CHEGANDO DEVAGAR
APOIADO NO SEU CAJADO
VEM NA BANDA SARAVÁ
OMULU DÊ
SENHOR DA TERRA
ATOTÔ ABALUAYÊ!
============================================
OMULU AIÊ ATOTÔ
É UM ORIXÁ!
PEDE QUE ELE DÁ, ATOTÔ
ELE É ORIXÁ!
SE ELE CORRE OS QUATRO CANTOS
QUATRO CANTOS SEM PARAR
SE ELE CORRE OS QUATRO CANTOS
É PRA SEUS FILHOS AJUDAR!
OMULU AÊ ATOTÔ, ELE É ORIXÁ! (4X)
============================================
AÊ AÊ SEU CAFUNÃ! (2X)
OMULU QUE VEM NA GIRA
AÊ AÊ SEU CAFUNÃ!
============================================
SARAVÁ OXÓSSI NESTA CASA
OI SARAVÁ OKÊ ARÔ!
OI SARAVÁ OH MEU SENHOR DA PESTE
OBALUAYÊ, ATOTÔ!
AJUBERÔ, ATOTÔ!
OBALUAYÊ, ATOTÔ!
============================================
MEU PAI OXALÁ
MEU DEUS, VENHA ME VALER!
MEU VELHO ATOTÔ
OMULU, OBALUAYÊ!
ATOTÔ BALUAÊ
ATOTÔ DANDÁ
ATOTÔ BALUAÊ
ATOTÔ É ORIXÁ (BIS)
============================================
ELE É UM VELHO
QUE MORA MUITO LONGE
MUITO LONGE!
NA SUA CASA DE PALHA
ELE CHORA MIRONGA (3X)
NO MIRONGUÊ!
============================================
VEM CHEGANDO UM VELHINHO,
PARA LHE ABENÇOAR.
VEM CHEGANDO UM VELHINHO,
PARA LHE ABENÇOAR.
VELHO ATOTÔ, SARAVÁ PAI OXALÁ! (2X)
OXALÁ É O REI DO MUNDO
OXALÁ É O MEU SENHOR!
OMULU É O DONO DA PESTE
OBALUAYÊ ATOTÔ!
UM PASSARINHO CANTAVA LONGE
E DE REPENTE ELE VOOU!
ERA UM VELHO CAMINHANDO NA ESTRADA
ERA O VELHO OMULU ATOTÔ!
============================================
Ó SENHOR DAS ALMAS
NÃO SEJA PARA MIM SEVERO
ELE É OMULU
O REI DO CEMITÉRIO!
============================================
SALVE ESTA ROÇA LINDA
QUE DEUS FAZ ABENÇOADA!
EU LOUVEI OBALUAYÊ
QUE É SANTO DESTA MORADA!
============================================
VINHA CAMINHANDO PELA ESTRADA
QUANDO UM VELHO ENCONTREI!
ELE ME ABENÇOOU
ERA OMULU, O VELHO ATOTÔ!
============================================
QUEM É DONO DO BAÚ
É O MESTRE OMULU!
QUEM É DONO DO BAÚ
É O MESTRE OMULU!
============================================
LÁ VEM OMULU,
ELE VEM LÁ DA CALUNGA
ELE CORRE GIRA, ELE CORRE
SEM PARAR, SE ELE CORRE
OS QUATRO CANTOS DO MUNDO
SARAVÁ OMULU, VEM ATOTÔ
NO PORTÃO DO CEMITÉRIO
SEU OMULU CHOROU
SEU OMULU CHOROU!
============================================
SALUBA NANÃ BURUQUÊ!
SEU FILHO PEDE AGÔ!
LOUVADO SEJA OBALUAYÊ
VELHO OMULU ATOTÔ!
============================================
COM PALHA AFRICANA
LÁ VEM SEU OMULU!
ELE É ORIXÁ, ELE É, SIM SENHOR!
ELE É O ORIXÁ DONO DA CALUNGA!
SUA ESTRELA QUEM ACENDEU
FOI OGUM MEGÊ!
============================================
CASINHA BRANCA, CASINHA BRANCA,
QUE EU MANDEI FAZER (2X)
PARA OFERECER A MEU PAI OMULU,
MEU PAI OMULU SEU ATOTÔ OBALUAIÊ (2X)
OI SALVE MAMÃE OXUM! E SALVE NANÃ BURUQUÊ!
SALVE ATOTÔ OBALUAIÊ (BIS)
================================



SE EU VEJO UM VELHO NO CAMINHO EU PEÇO A BENÇÃO (2X)
DEUS LHE ABENÇOE, DEUS LHE ABENÇOE
DEUS LHE ABENÇOE, ABALUAYÊ, DEUS LHE ABENÇOE!

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ABALUAYÊ, OLHA A SUA FILHA
O SENHOR TEM FORÇA!
DÊ FORÇAS A ELA
A VÓS QUE VOS CHAMA
ABALUAYÊ AJUDE ESTA CAMBONA!

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QUÊ, QUERÊ, QUÊ QUÊ, Ô GANGA
PISA NA MACUMBA DE GANGA.
QUE, QUERÊ, QUÊ QUÊ, Ô GANGA.
SARAVÁ SEU OMULU, QUI É GANGA.

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O VELHO OMULU
VEM CHEGANDO DEVAGAR
APOIADO NO SEU CAJADO
VEM NA BANDA SARAVÁ
OMULU DÊ
SENHOR DA TERRA
ATOTÔ ABALUAYÊ!

--------------------------------------------------------------------------------

OMULU AIÊ ATOTÔ
É UM ORIXÁ!
PEDE QUE ELE DÁ, ATOTÔ
ELE É ORIXÁ!

--------------------------------------------------------------------------------

Meu pai Oxalá é o Rei
Venha nos valer
Meu pai Oxalá é o Rei
Venha nos valer
É o velho Omulu
Atotô Obaluaê
É o velho Omulu
Atotô Obaluaê
Atotô Obaluaê Atoto babá
Atotô Obaluaê ele é um Orixa
Atotô Obaluaê Atoto babá
Atotô Obaluaê ele é um Orixa

--------------------------------------------------------------------------------

ELE É UM VELHO
QUE MORA MUITO LONGE
MUITO LONGE!
NA SUA CASA DE PALHA
ELE CHORA MIRONGA (3X)
NO MIRONGUÊ!

--------------------------------------------------------------------------------

UM PASSARINHO CANTAVA LONGE
E DE REPENTE ELE VOOU!
ERA UM VELHO CAMINHANDO NA ESTRADA
ERA O VELHO OMULU ATOTÔ!

--------------------------------------------------------------------------------

VEM CHEGANDO UM VELHINHO,
PARA LHE ABENÇOAR.
VEM CHEGANDO UM VELHINHO,
PARA LHE ABENÇOAR.
VELHO ATOTÔ, SARAVÁ PAI OXALÁ! (2X)

--------------------------------------------------------------------------------

Ó SENHOR DAS ALMAS
NÃO SEJA PARA MIM SEVERO
ELE É OMULU
O REI DO CEMITÉRIO!

--------------------------------------------------------------------------------

SALVE ESTA ROÇA LINDA
QUE DEUS FAZ ABENÇOADA!
EU LOUVEI ABALUAYÊ
QUE É SANTO DESTA MORADA!

--------------------------------------------------------------------------------

VINHA CAMINHANDO PELA ESTRADA
QUANDO UM VELHO ENCONTREI!
ELE ME ABENÇOOU
ERA OMULU, O VELHO ATOTÔ!

--------------------------------------------------------------------------------

QUEM É DONO DO BAÚ
É O MESTRE OMULU!
QUEM É DONO DO BAÚ
É O MESTRE OMULU!

--------------------------------------------------------------------------------

LÁ VEM OMULU,
ELE VEM LÁ DA CALUNGA
ELE CORRE GIRA, ELE CORRE
SEM PARAR, SE ELE CORRE
OS QUATRO CANTOS DO MUNDO
SARAVÁ OMULU, VEM ATOTÔ
NO PORTÃO DO CEMITÉRIO
SEU OMULU CHOROU
SEU OMULU CHOROU!

--------------------------------------------------------------------------------

SALUBA NANÃ BURUQUÊ!
SEU FILHO PEDE AGÔ!
LOUVADO SEJA ABALUAYÊ
VELHO OMULU ATOTÔ!

--------------------------------------------------------------------------------

COM PALHA AFRICANA
LÁ VEM SEU OMULU!
ELE É ORIXÁ, ELE É, SIM SENHOR!
ELE É O ORIXÁ DONO DA CALUNGA!
SUA ESTRELA QUEM ACENDEU
FOI OGUM MEGÊ!

--------------------------------------------------------------------------------

SE ELE CORRE OS QUATRO CANTOS
QUATRO CANTOS SEM PARAR
SE ELE CORRE OS QUATRO CANTOS
É PRA SEUS FILHOS AJUDAR!
OMULU AÊ ATOTÔ, ELE É ORIXÁ! (4X)

--------------------------------------------------------------------------------

SARAVÁ OXÓSSI NESTA CASA
OI SARAVÁ OKÊ ARÔ!
OI SARAVÁ OH MEU SENHOR DA PESTE
OBALUAYÊ, ATOTÔ!
AJUBERÔ, ATOTÔ!
OBALUAYÊ, ATOTÔ!

--------------------------------------------------------------------------------

OXALÁ É O REI DO MUNDO
OXALÁ É O MEU SENHOR!
OMULU É O DONO DA PESTE
OBALUAYÊ ATOTÔ!

--------------------------------------------------------------------------------

CASINHA BRANCA, CASINHA BRANCA,
QUE EU MANDEI FAZER (2X)
PARA OFERECER A MEU PAI OMULU,
MEU PAI OMULU SEU ATOTÔ OBALUAIÊ (2X)
OI SALVE MAMÃE OXUM! E SALVE NANÃ BURUQUÊ!
SALVE ATOTÔ OBALUAIÊ (BIS)

--------------------------------------------------------------------------------

Doença de pele
Ele veio curar
Ele Omulú
Nosso grande orixá
Coberto de palha
Ele vem me abençoar

--------------------------------------------------------------------------------

No dia 13 de maio
meu são Benedito
Cativeiro se acabou
meu São Benedito
Oi saravá seu Atotô
meu são Benedito
Oi viva Deus nosso Senhor

--------------------------------------------------------------------------------

Eu vim ao mundo
para sofrer
O meu destino
é sobreviver
Oi abre as portas
para receber
Nanã Borouquê
e Abaluaê

--------------------------------------------------------------------------------

Ele era, mas não era
Mas não era pintassilgo
Ele mora na pedra furada
Mas não era pintassilgo
    


SE EU VEJO UM VELHO NO CAMINHO EU PEÇO A BENÇÃO (2X)
DEUS LHE ABENÇOE, DEUS LHE ABENÇOE
DEUS LHE ABENÇOE, ABALUAYÊ, DEUS LHE ABENÇOE!

--------------------------------------------------------------------------------

ABALUAYÊ, OLHA A SUA FILHA
O SENHOR TEM FORÇA!
DÊ FORÇAS A ELA
A VÓS QUE VOS CHAMA
ABALUAYÊ AJUDE ESTA CAMBONA!

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QUÊ, QUERÊ, QUÊ QUÊ, Ô GANGA
PISA NA MACUMBA DE GANGA.
QUE, QUERÊ, QUÊ QUÊ, Ô GANGA.
SARAVÁ SEU OMULU, QUI É GANGA.

--------------------------------------------------------------------------------

O VELHO OMULU
VEM CHEGANDO DEVAGAR
APOIADO NO SEU CAJADO
VEM NA BANDA SARAVÁ
OMULU DÊ
SENHOR DA TERRA
ATOTÔ ABALUAYÊ!

--------------------------------------------------------------------------------

OMULU AIÊ ATOTÔ
É UM ORIXÁ!
PEDE QUE ELE DÁ, ATOTÔ
ELE É ORIXÁ!

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Meu pai Oxalá é o Rei
Venha nos valer
Meu pai Oxalá é o Rei
Venha nos valer
É o velho Omulu
Atotô Obaluaê
É o velho Omulu
Atotô Obaluaê
Atotô Obaluaê Atoto babá
Atotô Obaluaê ele é um Orixa
Atotô Obaluaê Atoto babá
Atotô Obaluaê ele é um Orixa

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ELE É UM VELHO
QUE MORA MUITO LONGE
MUITO LONGE!
NA SUA CASA DE PALHA
ELE CHORA MIRONGA (3X)
NO MIRONGUÊ!

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UM PASSARINHO CANTAVA LONGE
E DE REPENTE ELE VOOU!
ERA UM VELHO CAMINHANDO NA ESTRADA
ERA O VELHO OMULU ATOTÔ!

--------------------------------------------------------------------------------

VEM CHEGANDO UM VELHINHO,
PARA LHE ABENÇOAR.
VEM CHEGANDO UM VELHINHO,
PARA LHE ABENÇOAR.
VELHO ATOTÔ, SARAVÁ PAI OXALÁ! (2X)

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Ó SENHOR DAS ALMAS
NÃO SEJA PARA MIM SEVERO
ELE É OMULU
O REI DO CEMITÉRIO!

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SALVE ESTA ROÇA LINDA
QUE DEUS FAZ ABENÇOADA!
EU LOUVEI ABALUAYÊ
QUE É SANTO DESTA MORADA!

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VINHA CAMINHANDO PELA ESTRADA
QUANDO UM VELHO ENCONTREI!
ELE ME ABENÇOOU
ERA OMULU, O VELHO ATOTÔ!

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QUEM É DONO DO BAÚ
É O MESTRE OMULU!
QUEM É DONO DO BAÚ
É O MESTRE OMULU!

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LÁ VEM OMULU,
ELE VEM LÁ DA CALUNGA
ELE CORRE GIRA, ELE CORRE
SEM PARAR, SE ELE CORRE
OS QUATRO CANTOS DO MUNDO
SARAVÁ OMULU, VEM ATOTÔ
NO PORTÃO DO CEMITÉRIO
SEU OMULU CHOROU
SEU OMULU CHOROU!

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SALUBA NANÃ BURUQUÊ!
SEU FILHO PEDE AGÔ!
LOUVADO SEJA ABALUAYÊ
VELHO OMULU ATOTÔ!

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COM PALHA AFRICANA
LÁ VEM SEU OMULU!
ELE É ORIXÁ, ELE É, SIM SENHOR!
ELE É O ORIXÁ DONO DA CALUNGA!
SUA ESTRELA QUEM ACENDEU
FOI OGUM MEGÊ!

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SE ELE CORRE OS QUATRO CANTOS
QUATRO CANTOS SEM PARAR
SE ELE CORRE OS QUATRO CANTOS
É PRA SEUS FILHOS AJUDAR!
OMULU AÊ ATOTÔ, ELE É ORIXÁ! (4X)

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SARAVÁ OXÓSSI NESTA CASA
OI SARAVÁ OKÊ ARÔ!
OI SARAVÁ OH MEU SENHOR DA PESTE
OBALUAYÊ, ATOTÔ!
AJUBERÔ, ATOTÔ!
OBALUAYÊ, ATOTÔ!

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OXALÁ É O REI DO MUNDO
OXALÁ É O MEU SENHOR!
OMULU É O DONO DA PESTE
OBALUAYÊ ATOTÔ!

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CASINHA BRANCA, CASINHA BRANCA,
QUE EU MANDEI FAZER (2X)
PARA OFERECER A MEU PAI OMULU,
MEU PAI OMULU SEU ATOTÔ OBALUAIÊ (2X)
OI SALVE MAMÃE OXUM! E SALVE NANÃ BURUQUÊ!
SALVE ATOTÔ OBALUAIÊ (BIS)

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Doença de pele
Ele veio curar
Ele Omulú
Nosso grande orixá
Coberto de palha
Ele vem me abençoar

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No dia 13 de maio
meu são Benedito
Cativeiro se acabou
meu São Benedito
Oi saravá seu Atotô
meu são Benedito
Oi viva Deus nosso Senhor

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Eu vim ao mundo
para sofrer
O meu destino
é sobreviver
Oi abre as portas
para receber
Nanã Borouquê
e Abaluaê

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Ele era, mas não era
Mas não era pintassilgo
Ele mora na pedra furada
Mas não era pintassilgo.......
    



O seu Omulu

Ele é orixá

Seu tesouro é osso

Ô galirê...ô galirá

O seu tesouro é osso

Ô galirê...ô galirá

O seu tesouro é osso

Ô galirê...ô galirá....










IYÁ MI OSORONGÁ

yá-Mi Osorongá é a síntese do poder feminino, claramente manifestado na possibilidade de gerar filhos e, numa noção mais ampla, de povoar o mundo. Quando os Iorubas dizem “nossas mães queridas” para se referirem às Iyá Mi, tentam, na verdade, apaziguar os poderes terríveis dessa entidade.
Donas de um axé tão poderoso como o de qualquer Orixá, as Iyá-Mi tiveram o seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas do famoso festival Gèlèdè, na Nigéria, realizado entre os meses de Março e Maio, que antecedem o início das chuvas do país, remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade.
As iyá-Mi tornaram-se conhecidas como as senhoras dos pássaros e a sua fama de grandes feiticeiras associou-as à escuridão da noite; por isso também são chamadas Eleyé, e as corujas são os seus principais símbolos.
A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino, que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza, ou seja, dos acontecimentos que fogem à explicação e ao controle humano. Toda a mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Iyá-Mi; a capacidade de gerar filhos, expressa nos órgãos genitais femininos, assustou sempre os homens.
As mães são compreendidas como a origem da humanidade e o seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e, quando ele nascer, ainda decide se ele deve viver.
Iyá-Mi é a sacralização da figura materna, por isso o seu culto é envolvido por tantos tabus. O seu grande poder deve-se ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo o que é redondo remete ao ventre e, por consequência, às Iyá-Mi. O poder das grandes mães é expresso entre os orixás por Oxum, Iemanjá e Nanã Buruku, mas o poder de Iyá-Mi é manifesto em toda a mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu.
As denominações de Iyá-Mi expressam as suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão os seus nomes nunca devem ser pronunciados; mas quando se disser um dos seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das Grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.
As feiticeiras mais temidas entre os Iorubas e no Candomblé são as Àjé e, para se referir a elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro.
O aspecto mais aterrador das Iyá-Mi e o seu principal nome, com o qual se tornou conhecida nos terreiros, é Osorongá, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro do mesmo nome e rompe a escuridão da noite com o seu grito assustador.
As Iyá-Mi são as senhoras da vida, mas o corolário fundamental da vida é a morte. Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas no seu aspecto benfazejo, são o grande ventre que povoa o mundo. Não podem, porém, ser esquecidas; nesse caso lançam todo o tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte.
O lado bom de Iyá-Mi é expresso em divindades de grande fundamento, como Apaoká, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Oxóssi. As Iyá-Mi, juntamente com Exú e os ancestrais, são evocadas nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que, entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem a vida, integrarão o corpo das Iyá-Mi, que são, na verdade, as mulheres ancestrais.

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 VIDEOS  E ZUELAS












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